Fórum Atlântico Sul

Seminário Internacional “Energia – que Futuro e Segurança para o Século XXI” realizado no enquadramento da designada “Ambinergia 2009”, no dia 6 de Junho pelas 14,15 horas na EXPONOR – Leça da Palmeira, Portugal, reuniu cerca de sessenta pessoas do mundo governativo, acadêmico e empresarial que debateram dois temas relacionados com o esgotamento de recursos energéticos tradicionais e a necessidade de um absoluto impulso e ampliação na área da investigação para que as alternativas sejam sustentáveis.

Veja as fotos do evento: (clique nas setas laterais para visualizar):

Mesa de abertura do seminário

Momento de reflexão do Reitor Professor Doutor Salvato Trigo

Mesa de trabalhos

Prof. Doutora Teresa Ponce de Leão, Eng. Jorge Borrego, Prof. Pedro de Almeida

Conferência

Professor Luis de Sousa

Conferência

Professor Doutor Pedro de Almeida

Conferência

Professor Doutor Raul Sturari

Assistência do evento

Assistência do evento

O evento desdobrou–se em três momentos:

1. Na sessão solene de abertura a Senhora Embaixadora Claudia D’Angelo, Consul Geral do Brasil no Porto, historiou a crescente evolução do CEPEN (Centro de Estudos de Políticas e Estratégias Nacionais – General Carlos de Meira Mattos) relembrando a importância e exemplo de vida do Ilustre Brasileiro que deu o nome ao Centro Lusófono (constituído por nove Universidades lusófonas de Timor, África e Europa e instituições públicas e privadas desse universo de língua portuguesa).

2. O Senhor Reitor da Universidade Fernando Pessoa – Porto – Portugal Professor Doutor Salvato Trigo, seguidamente realizou uma profunda reflexão filosófica sobre a energia, num trajeto etimológico até ás concepções de S. Tomás de Aquino e Hobbes. Tomás aborda o direito de propriedade sob o aspecto propriamente ético, inscrevendo-o neste triângulo: as coisas, especialmente a terra, a pessoa e a sociedade. Tudo é de todos: as coisas são para as pessoas. A todos a e a cada ser humano a utilização racional das coisas para o proveito de todos. Dois princípios normativos de base presidem a esta posição: a) princípio de universalidade; b) princípio segundo o qual todo o necessário deve ser assegurado a todos. Nenhuma prática ou lei e nenhum sistema podem legitimar a exclusão de quem quer que seja do que é necessário à plena realização da sua vida humana. Podíamos falar mesmo de um princípio de reserva (ecológica). O ser humano não é senhor absoluto da “natureza das coisas”, não as pode destruir e modificar, como se fosse o “autor delas”, mas utilizá-las para a sua utilidade, respeitando a “natureza das coisas”, sobretudo dos seres vivos e a sua sobrevivência. Exclui-se liminarmente o direito de usar e abusar, a seu talante, da criação, arruinando-a e rompendo-lhe o equilíbrio.

Para Hobbes, o soberano pode ser um rei, um grupo de aristocratas ou uma assembléia democrática. O fundamental não é o número dos governantes, mas a determinação de quem possui o poder ou a soberania. Esta pertence de modo absoluto ao Estado, que, por meio das instituições públicas, tem o poder para promulgar e aplicar as leis, definir e garantir a propriedade privada e exigir obediência incondicional dos governados, desde que respeite dois direitos naturais intransferíveis: o direito à vida e à paz, pois foi por eles que o soberano foi criado. O soberano detém a espada e a lei; os governados, a vida e a propriedade dos bens. Para Rousseau, o soberano é o povo, entendido como vontade geral, pessoa moral, coletiva, livre e corpo político de cidadãos. Os indivíduos, pelo contrato, criaram-se a si mesmos como povo e é a este que transferem os direitos naturais para que sejam transformados em direitos civis. Assim sendo, o governante não é o soberano, mas o representante da soberania popular. Os indivíduos aceitam perder a liberdade civil: aceitam perder a posse natural para ganhar a individualidade civil, isto é, a cidadania. Enquanto criam a soberania e nela se fazem representar, são cidadãos. Enquanto se submetem às leis e à autoridade do governante que os representa chamam-se súditos. São, pois, cidadãos do Estado e súditos das leis.

3. O Senhor Engenheiro Carlos Caxaria da Direção Geral de Minas e Geologia do Ministério da Economia e da Inovação deu por finda a sessão e passou-se a constituir a mesa de trabalhos. Presidida pelo Senhor Engenheiro Jorge Borrego – Presidente do Conselho Diretor da COGEN Portugal – Associação Portuguesa para a Eficiência Energética e Promoção da Cogeração que abriu os trabalhos com uma breve alocução sobressaindo o fato de que a preocupação desse Seminário seria de levantar questões e não de dar respostas pois muitas destas são precisamente a missão dos estudos e investigação dos participantes. A permuta de conhecimentos será o contributo para estabelecer parcerias estratégicas que levem a soluções tecnológicas sustentáveis.

A Moderadora da Mesa Professora Doutora Teresa Ponce de Leão, Presidente do recém estruturado Laboratório Nacional de Energia e Geologia, fez uma breve apresentação da sua missão, lançando o desafio para os conferencistas em abordarem as questões que suscitou com especial ênfase para a eficiência energética.

Dada a palavra ao Professor Luís de Sousa este fez uma descrição do pensamento de Hubert. O pico de Hubbert teoria, também conhecido como de esgotamento ou de pico do petróleo, é uma influente teoria sobre a taxa de longo prazo esgotamento de petróleo e outros combustíveis fósseis. Ele prevê que a produção mundial de petróleo atingirá o seu pico e depois declínio tão rápido como ele cresceu, destacando o fato de que o fator limitante para a extração do petróleo é a energia necessária e não o seu custo. Ainda controversa, esta teoria é amplamente aceita entre a comunidade científica e da indústria petrolífera. O debate não incide sobre se existe um pico de petróleo, mas quando vai ocorrer, pois é sabido que o petróleo é um recurso finito e não renovável Isso depende da eventual descoberta de novas reservas, aumentando a eficiência dos depósitos existentes, profunda extração ou exploração de novas formas não convencionais de petróleo. Com base em dados atuais de produção, a Associação para o Estudo do Pico de Petróleo e Gás (ASPO em Inglês), acredita que o pico do petróleo irá ocorrer em 2010, a ser o gás natural alguns anos mais tarde. Pelo contrário, as estimativas mais otimistas mostram reservas de pelo menos 100 anos mais. Isto implicaria conseqüências importantes para os países desenvolvidos, que são fortemente dependentes de petróleo barato e abundante, especialmente para os transportes, a agricultura, a indústria química e de aquecimento da casa A teoria deve seu nome ao geofísico M. King Hubbert , que previu corretamente o pico da produção E.U. quinze anos de antecedência.

Grande parte da indústria petrolífera e automóvel afirma que Hubbert teoria é falso ou pelo menos, oculta e ignorada. Alguns críticos argumentam que se a escassez motivar a busca de novas descobertas e as reservas serão aumentados acima aqueles preditos por Hubbert. Mas mesmo o mais otimista da versão limitada recursos petrolíferos coloca um prazo sobre o preço barato na extração dos recursos. Ninguém parece negar a existência de uma produção tecto, mas poucos governos e empresas que até agora têm mencionado abertamente. Entre estes incluem a multinacional americana ChevronTexaco, que lançaram recentemente, na campanha E.U. para sensibilizar o público para a necessidade de agir perante o iminente esgotamento do petróleo. Também recentemente, a multinacional espanhola Repsol-YPF já falou publicamente numa conferência de emissão, utilizando o mesmo gráficos ASPO. A chegada do pico de extração que sugere um futuro sombrio em que a humanidade terá de sobreviver sem a sua principal fonte de energia que fez crescer e prosperar ao longo do século XXI.

Seguidamente o Senhor Professor Pedro de Almeida da Universidade da Beira Interior e membro da ASPO – Portugal parafraseou os diversos slides passados anteriormente fazendo um complemento da anterior exposição com a correlação do aumento demográfico mundial. Alertou que só um profundo investimento de todos os governos na investigação para tornar os atuais métodos alternativos de produção energética poderá conduzir a uma sustentabilidade. Antevê uma correlação entre a atual crise econômica que retarda a crise energética provocada pelo desmesurado consumo e falta de acompanhamento igual da produção. Preconizou uma suave mudança de hábitos da sociedade conduzindo á eficiência energética até serem encontrados mecanismos de produções alternativas econômicas. Apontou que de um lado positivo essa crise irá provocar a diminuição gradual de emissões de CO2 e que no fim do milênio o nosso ambiente será de novo limpo e saudável.

Terminando o painel, o Professor Doutor Raul Sturari, Presidente do Instituto Sagres situado em Brasília, antecedendo a sua exposição fez um momento de homenagem ao General Carlos de Meira Mattos. Seguidamente debruçou – se na produção de energia do universo Lusófono, passando em revisão as diversas fontes de energia. Apontou que o pré – sal do Brasil está ainda a começar a ser explorado e que é preá existência de um pré sal na costa de Angola e de jazidas marítimas no Golfo da Guiné. Ressaltou e explicou a necessidade dos governos recorrerem á prospecção e construção de cenários para assegurar uma exploração sustentável de recursos naturais energéticos. Citou que Angola e Moçambique têm condições de produzirem bio – combustível e que tal potencialidade deverá ser aproveitada. Referindo – se a Timor realçou a já ativa produção petrolífera com sinergia com a Austrália a com a China. Insistiu na partilha das tecnologias de ponta na produção energética entre apises lusófonos para construírem estratégias nacionais parceiras. Finalizadas as exposições e após um debate de muito interesse com a platéia de Participantes, o Senhor Presidente da mesa encerrou a sessão.

De menção que o Professor Doutor Raul Sturari e o Professor Doutor Pedro de Almeida são Conselheiros Diretivos do Centro de Estudos de Políticas e Estratégias Nacionais – General Carlos de Meira Mattos, sendo este último o representante Português no FORUM ENERGIA do CEPEN. Foram feitos pelo representante do Presidente do CEPEN Senhor General Alberto Cardoso, agradecimento público ao mecenas do evento, o Senhor Comendador Mário Ferreira, Português que tem apoiado inúmeras iniciativas Brasileira de valor nacional.


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