Turismo Náutico

Hernâni Lopes

O turismo de cruzeiros surge nas primeiras décadas do século XIX com os primeiros navios a vapor e as primeiras companhias de navegação, impulsionadas pela corrida a África. Mas só nos anos 40, depois da II Guerra Mundial, é que se abrem novas perspetivas de mercado, reforçadas pela promulgação do “Despacho 100” pelo Almirante Américo Thomaz que veio dar origem à era dos grandes paquetes. A perda das colónias e a crescente utilização do transporte aéreo de passageiros, determinou o fim da época de ouro dos paquetes portugueses, assistindo-se, a partir dessa altura, à desintegração das companhias e à venda dos paquetes portugueses.

Atualmente, alguns portos nacionais, em especial o de Lisboa e o do Funchal, mas também os de Ponta Delgada, Leixões e Portimão, são muito procurados para escala de navios de cruzeiros. Para além disso estão também em movimento crescente os pequenos cruzeiros ou passeios junto à costa e nos estuários, de duração diária ou semi-diária, feitos tanto em embarcações preparadas para o efeito como em embarcações de pesca e/ou embarcações tradicionais.

Cruzeiros Náuticos

A nível dos cruzeiros turísticos, todas as grandes companhias estão representadas em Portugal, ou possuem no País algum agente com quem mantêm relações privilegiadas. Todas estas empresas estarão, à partida, disponíveis para encaminharem junto das suas representadas projetos novos e inovadores que surjam no mercado português.
Existem várias motivações para as pessoas optarem por fazer um cruzeiro e que podem resumir-se no seguinte:

* Cruzeiros de Férias de pequena duração – em férias-curtas (short-breaks), por exemplo a passagem do ano;

* Cruzeiros Comemorativos – “lua-de-mel”, bodas de prata ou ouro, ou qualquer outro tipo de comemoração, situações muitas vezes associadas a descontos;

* Cruzeiros de Incentivos e de Promoção / Apresentação de Produtos – destinados ao mercado das empresas, com um crescimento significativo na Europa; e

* Cruzeiros “Charters” – realizados por operadores turísticos generalistas que fretam os navios aos operadores de cruzeiros para organizarem os seus próprios, normalmente fora da época alta e destinados a camadas socioeconómicas médias e médias-baixas e cuja estratégia é a da verticalização da atividade, sobretudo para destinos “resorts”.

Aos cruzeiros estão ainda associados três grandes grupos de produtos/serviços que são comercializados em terra:

* nos portos de partida/chegada: um conjunto de serviços – “pre-cruise” e “post-cruise” – que correspondem a dar assistência, acompanhar e promover excursões para os cruzeiristas que vêm/vão (normalmente por via aérea) para regiões longínquas em relação à localização do porto, necessitando de aí pernoitar uma noite pelo menos;

* nos portos de escala: pequenas excursões na cidade do porto e, eventualmente, abrangendo também a sua área envolvente; necessariamente muito pequenas porque, cada vez mais, o número e diversificação das atividades no interior do navio é proporcional ao aumento da sua capacidade, visando “obrigar” o passageiro a consumir dentro e não fora do navio;

* vender ao cruzeirista um pacote completo de produtos/serviços que vai desde o cruzeiro a uma estada em terra que pode envolver eventualmente diversas atividades, o que implica a existência em terra de condições adequadas (não só operacionais ao nível do porto, mas também do transporte em terra dos cruzeiristas e sobretudo de hotelaria e outros equipamentos e serviços turísticos de boa qualidade).

Em Portugal, Lisboa e Funchal, com cerca de duas centenas e meia de navios em 2007 são os portos mais procurados pelos navios de cruzeiro, seguidos a uma menor escala por Ponta Delgada, Leixões e Portimão, na casa da meia centena. Horta, Praia da Vitória, Setúbal e Porto Santo e a curto prazo Viana do Castelo, são também portos com potencial para receber e virem a ser procurados por navios de cruzeiro respondendo à crescente procura e oferta de viagens de cruzeiros e, sobretudo, à procura de novos destinos por parte dos operadores, face à saturação já existente em alguns deles.

O perfil de visita é essencialmente de escala, sendo o número de passageiros que embarcam/desembarcam apenas 6% do total de 700 mil passageiros que passaram pelos nossos portos. Esta é uma situação que importa alterar, dado que os passageiros em escala são aqueles que menos consomem, dado que as viagens são organizadas de forma a levar os passageiros a consumir dentro e não fora do navio. Ou seja, é necessário dotar os nossos portos, em especial Lisboa, Porto, Setúbal, Funchal e Ponta Delgada de condições para que se tornem portos de partida/chegada, assegurando a estadia em Portugal antes ou depois da viagem dos passageiros de cruzeiro.
Atividades Marítimo-Turísticas

Estas atividades englobam um vasto leque de serviços de lazer, culturais, e de interesse turístico, que abarca desde o aluguer de curta e média duração, de embarcações de recreio, à pesca desportiva (atividade em expansão e de grande valor comercial), até à oferta de serviços de mini cruzeiro, incluindo passeios pela costa e nos principais estuários e rios navegáveis.

A atividade Marítimo-Turística em Portugal tem características sazonais, desenvolvendo-se, essencialmente, entre os meses de Maio e Outubro, com maior concentração na região do Algarve, Setúbal, Lisboa, Peniche (Berlenga), e ainda nas ilhas dos Açores e da Madeira.

O desenvolvimento desta indústria tem potencial para a captação de novos segmentos da procura turística internacional e permitirá responder a uma crescente procura doméstica.

*Excerto apresentado por SOAMAR Brasil em Portugal


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