Mentalidade Marítima do Brasil

Prof. Odilon Lugão Monteiro
Asp. Jader Esteves
Asp. Arthur Janeiro Campos Nuñez
Asp. Arthur Hippler Barcellos
Asp. Luiz Guilherme Oliveira Tosta Montez
Asp. Renan Benites dos Santos

A mentalidade marítima é fundamental para o Brasil ser capaz de proteger não somente seu mar territorial, mas também para projetar poder sobre o Atlântico Sul.

Passados 117 anos, essas observações ainda são relevantes porque o mar é atemporal e sua importância para o país só cresce. Apesar de o Brasil ter “dado as costas para o mar” no último século devido a preocupação com a interiorização, a descoberta de novos recursos, principalmente petrolíferos, tem chamado a atenção do povo brasileiro para o mar.

A Amazônia Azul iniciou o ressurgimento da mentalidade marítima no povo brasileiro e, com isso, a necessidade de um Poder Naval polivalente correspondente à tal extensão de território marítimo e, também, a tais riquezas de modo a preservá-las e contribuir para a ascensão brasileira perante o cenário internacional e na sua principal área de influência: O Atlântico Sul. Desse modo, traça-se o objetivo deste trabalho.

De acordo com o panorama internacional, como a Marinha do Brasil (MB) conseguirá contribuir para a projeção de poder sobre o Atlântico Sul? Como ela o faz atualmente e quais são seus planos futuros? Como sua atual doutrina pode se adequar?

Com base em pesquisa bibliográfica em diversos sites, livros, revistas e autores do pensamento estratégico naval, como o Almirante Vidigal, o Almirante Mario César e o Almirante Mahan, o presente artigo buscará ratificar as palavras do diplomata Rui Barbosa, além de mostrar a importância da MB para o desenvolvimento e projeção brasileira perante o Atlântico Sul e a comunidade internacional. Entretanto, abordaremos, a priori, o conceito de mentalidade marítima, a fim de compreender o pensamento do brasileiro com relação ao mar e como ele se relaciona com a Defesa do Atlântico Sul.

A análise da mentalidade marítima das nações e, por conseguinte, os aspectos responsáveis por sua formação, além de observações do cenário político-económico da época (final do século XIX) e do poderio da Royal Navy nos mares foi base para o Almirante norte-americano Alfred Thayer Mahan criar a Teoria do Poder Marítimo em sua obra: The Influence of the Sea Power Upon History(1660-1783). O Contra-Almirante português Antônio Silva Ribeiro deixa claro o ideal de Mahan:

Mahan considera essencial desenvolver o poder marítimo, isto é, todas as atividades e recursos marítimos, para aumentar a prosperidade e afirmar internacionalmente um país. Esta linha de acção confere supremacia aos elementos básicos do poder marítimo, sobre os restantes elementos do poder nacional. Por isso, Mahan dá tanta importância à posição geográfica, à configuração física, à extensão do território, à dimensão da população, ao caráter do povo e ao gênio do governo.

A posição geográfica de um país expressa a sua localização em relação às rotas marítimas e ao território de outros países. A configuração física e a extensão do território nacional influenciam a disposição com que o povo busca e pode vir a obter o poder marítimo. O caráter do povo é relativo à sua propensão para os assuntos marítimos. O gênio do governo significa o seu empenhamento nas políticas destinadas à edificação e aplicação do poder marítimo.

Mahan percebeu que as nações que possuíssem o controle das rotas comerciais marítimas e uma posição geográfica favorável com relação ao mar deteriam papel de destaque no cenário político internacional. A partir deste ponto, o Almirante delimitou quatro linhas de ação que a Marinha Americana deveria tomar para garantir a supremacia nos oceanos, criando conceitos de Poder Marítimo, Poder Naval e Controle do Mar. Para Mahan, Poder Marítimo é o somatório de todos os recursos que a nação detém referentes ao mar, sejam estes armados ou não armados, para que a nação utilize seu mar territorial em prol da população e de seus interesses, influenciando-as pelo

O Poder Marítimo corresponde a uma Marinha Mercante competente capaz de atuar no comércio ativo: nacional e internacional, baseada num sistemas de portos e estaleiros modernos, uma indústria de construção naval desenvolvida, pessoal capacitado e com formação adequada para desempenhar as funções exigidas e uma legislação voltada para o desenvolvimento e desburocratizada.

Para proteger essa Marinha Mercante, a nação deveria desenvolver um Poder Naval dissuasivo, moderno e eficiente. Tem-se então a definição de Poder Naval: O braço armado do Poder Marítimo, a Marinha de Guerra. Povos com uma mentalidade marítima consolidada buscam desenvolver e fortalecer suas marinhas, ou seja, seu Poder Naval, uma vez que a proteção do mar é vital para a própria existência, assim como sua economia, valores e influência no mundo.

Apesar de o Brasil ter sido colonizado por Portugal, não herdou totalmente a mentalidade marítima portuguesa, tendo ignorado o mar e sua importância em alguns períodos de sua história.

O Brasil teve um despertar de sua mentalidade marítima durante a Guerra do Paraguai onde ficou evidenciada a necessidade de uma Marinha de guerra forte para combater rapidamente as agressões externas.

Além das árduas batalhas vencidas pelos nossos marinheiros, outro aspecto importante para ressaltar a Marinha foi o apoio logístico dado ao Exército.

Contribuíram também a grande encomenda de navios feitas no exterior e a expansão da indústria naval da época devido à necessidade de substituir os navios à vela de calado oceânico e pouca blindagem para navios monitores e encouraçados de menor calado, ideais para aquele tipo de teatro de operações.

Isso tornou a MB da época uma das cinco maiores marinhas de guerra do mundo.

*Excerto apresentado por SOAMAR Brasil em Portugal


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