O Petróleo

Observações a Respeito da Energia

I. A dependência inevitável de praticamente todos os grandes países carentes de energia em relação ao petróleo do Oriente Médio é o fato fundamental. Tão grande é no momento a capacidade de produção não-utilizada na região (cerca de 5 MBD) que, se todas as outras fontes de petróleo do comércio mundial fossem extintas, os grandes países industrializados poderiam satisfazer a todas as suas necessidades de importação de energia recorrendo apenas à capacidade de reserva do Oriente Médio.

2. Durante as últimas décadas, fora do Oriente Médio e do mundo ex comunista, não foram descobertas grandes reservas de petróleo, a não ser na Líbia, Nigéria, Mar do Norte, Alasca e Méxíco. Atualmente as descobertas do Pré sal implicam tecnologias de perfuração dispendiosas e estão ainda numa fase de extração em nível pouco alargado. Uma estimativa conservadora do tempo necessário para explorar “provar” desenvolver e produzir uma quantidade significativa de petróleo para o comércio mundial é de cinco a dez anos. É extremamente improvável que essas descobertas resultem em uma produção capaz de superar o aumento da demanda mundial de petróleo e inverter a tendência da relação reservas/produção, de modo a assegurar o suprimento até o final do século.

1. Não é provável, portanto, que a importância do petróleo do Oriente Médio diminua nesta década ou mesmo até o final do século.

2. A ex U.R.S.S. (e os países vizinhos) não é atualmente candidata direta ao petróleo do Oriente Médio. A competição pelo petróleo do Oriente Médio é entre os aliados da OTAN e o Japão.

3. Atualmente, a OPEP é menos importante que a OPAEP. Mais exatamente, a capacidade de produção ociosa da Arábia Saudita e sua produção potencial são as mais importantes. A Arábia Saudita produz atualmente cerca de 9,5 MBD; sua capacidade de produção atual é esti¬mada em 11,5 MBD; e sua produção potencial pode chegar a 20 MBD ou mais. Assim, qualquer decisão saudita a respeito de volumes e preços é muito importante.

4. O problema principal da Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo (OPAEP) é a possível diversidade de interesses dos países do Golfo Pérsico, especialmente o Iraque, o Irã, O Kuwait, e a Arábia Saudita, e os problemas e oportunidades que isto pode apresentar para as grandes potências industrializadas.

5. As relações “especiais” entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita são de longe as ligações mais importantes entre produtores e os grandes importadores de petróleo. Entretanto, a Europa e o Japão dependem muito mais do petróleo saudita e iraniano do que os Estados Unidos, o que sugere que a ligação entre os Estados Unidos e esses países produtores pode ocasionar alguns problemas nas relações com a Europa e o Japão. Além do mais, dada a hostilidade que existe entre o Irã e a Arábia Saudita, talvez os Estados Unidos encontrem dificuldades em manter uma relação “especial” com os dois países.

6. Os países-membros da OPEP -todos PMD -controlam a produção de “quase” todo o petróleo do comércio mundial.

7. Os países produtores controlam uma parcela significativa das rotas marítimas, que começam em seus terminais e instalações de carregamento e se estendem pelo Golfo Pérsico, Oceano Índico, Mar Vermelho e Suez, o Canal de Moçambique, os Estreitos de Málaca e Lombok. Todo esse trajeto está sujeito a interferências ou interrupções por parte de produtores ou PMD, ou ambos.

10. O controle do resto do sistema logístico-petroleiros, oleodutos e instalações de processamento (e da tecnologia energética) ainda está nas mãos do mundo industrializado, assim como os grandes mercados de petróleo. Apenas cerca de 3 por cento da rota mundial de petroleiros de 320 milhões de toneladas está atualmente sob o com role dos países da OPEP. Apenas os oleodutos que transportam o petróleo para os terminais de carregamento dos petroleiros estão nas mãos desses países; nenhum dos que atendem diretamente aos países consumidores é afetado. Os países consumidores dispõem atualmente de uma grande capacidade de refino e são auto-suficientes neste particular.

11. A Europa, o Japão e o Oriente Médio dispõem de portos para superpetroleiros que são suficientes para suas necessidades atuais. Os Estados Unidos ainda não podem valer-se plenamente da economia proporcionada pelos “very large crude carriers” (VLCC). Como não dispõem de portos com calado suficiente, os Estados Unidos dependem de navios menores, que atualmente não são fabricados no mesmo ritmo que os VLCC.

12. Os países-membros da Agência Internacional de Energia, através de seu plano de compartilhar o suprimento disponível de petróleo em caso de interrupções do suprimento por qualquer razão, podem ser capazes de suportar melhor os efeitos de interrupções ou cortes do fornecimento do que no passado. Pelo menos, o mecanismo de emergência parece adequado, introduzindo assim um fator de incerteza nos planos dos produtores de petróleo.

1. As companhias internacionais de petróleo continuam a desempenhar um papel essencial tanto para os países produtores como para os consumidores, graças aos seus sistemas logísticos e ao acesso a instalações de processamento, que lhes permitem manipular grandes volumes de petróleo. Pelo menos 80 por cento do comércio mundial de petróleo (28 MBD) é de responsabilidade dessas companhias. Em vinte e quatro horas, essas companhias transportam cerca de um bilhão de barris de petróleo de um local para outro.

2. Justamente quando o petróleo assumiu uma importância vital para os países industrializados, o “controle” do acesso a este recurso foi tomado pelos produtores das companhias de petróleo dos países consumidores. Até o momento produtores e consumidores não chegaram a nenhum acordo global que garanta o suprimento de petróleo; não se chegou nem mesmo a um processo para elaborar o acordo. Os preços são determinados pelos países produtores, e os governos dos países consumidores ainda não descobriram meios de influenciá-los. “Os acordos com relação a preços e volumes ainda são “ fechados” entre companhias e governos produtores, embora as condições sejam, em última análise, impostas pelos últimos.

15. Nenhum país industrializado carente de petróleo dispõe de uma política energética abrangente e detalhada. Os Estados Unidos não constituem exceção. Mesmo que os países importadores de petróleo tivessem metas e compromissos bem definidos, não poderiam de forma alguma alterar fundamentalmente os aspectos básicos da geopolítica energética atual. Esforços muito grandes, durante várias déca¬das, parecem ser necessários para que escapem da situação atual, na qual os países industrializados dependem do petróleo que é controlado por um pequeno grupo de PMD.

A importância geopolítica do petróleo resulta de dois fatores principais: (I) o petróleo, como combustível e matéria-prima, é o sangue das economias industrializadas; (2) as reservas e a produção de petróleo tendem a se concentrar cm certos países menos desenvolvidos. Com efeito, as reservas e produção de petróleo são mais abundantes cm um pequeno número de países em desenvolvimento, enquanto que a necessidade de um suprimento adequado e continuado de petróleo cm grandes volumes é mais urgente nos países desenvolvidos, industrializados.


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