Aquicultura

A FAO tem um relatório especialmente dirigido à aquicultura: “State of world aquaculture 2006”.
Deste relatório destacamos o seguinte:

* Similarmente a outros sectores produtores de alimentação, a aquicultura apoia-se em recursos naturais tal como terra e água. A agricultura requer recursos em termos de sementes e alimentos e as formas mais intensivas dependem também de recursos energéticos (combustíveis, eletricidade, etc.).
Contudo, a aquicultura tipicamente usa menos terra e água por unidade de produção em comparação com outros sectores, embora acabe por requerer uma gestão apropriada das suas interrelações com o meio ambiente, quer na fase de planeamento, quer na fase de desenvolvimento, essencial para a sustentabilidade do sector;

* A aquicultura é um sector variado, cobrindo uma gama de ambientes aquáticos diversos no mundo. Utiliza uma variedade de produção de sistemas e de espécies. Os impactes da aquicultura no ambiente não podem ser generalizados, mas é importante reconhecer que eles ocorrem e que têm que ser geridos;

*Entre os casos identificados de impacte ambiental e de interação com recursos naturais que têm sido associados negativamente com a aquicultura incluem-se:

? descarga de efluentes degradando a qualidade da água e a matéria orgânica em áreas agrícolas;

? alteração ou destruição de habitats naturais;

? concorrência pelo uso de água;

? concorrência na procura de produtos de alimentação animal para a sua utilização em dietas da aquicultura;

? uso inapropriado de produtos químicos criando preocupações sanitárias e ambientais;

? introdução e transmissão de doenças aquáticas animais por via de deslocalizações/transladações fracamente regulamentadas;

? impactes negativos nos recursos piscatórios por via de apanha de algas e de ninhadas de espécies;

? impactes negativos na vida selvagem através de métodos predatórios de peixe cultivado;

* Nos últimos anos, têm sido feitos progressos consideráveis na gestão ambiental da aquicultura. Entre outros, uma maior eficiência na utilização de energia, de água e de outros recursos naturais;

*Em alguns países, os produtores de aquicultura estão a introduzir certificação ambiental em ordem a demonstrar credivelmente que as suas práticas são não-poluentes, não transmissoras de doenças ou não ameaçadoras do ambiente.
Alguns países introduziram processos de certificação estatal para acreditarem que os produtos da aquicultura são seguros para consumo e são produzidos dentro de determinados padrões ambientais;

* Em áreas costeiras, a aquicultura pode gerar conflitos com o turismo e atividades de lazer, como ocorre no Mediterrâneo e no Mar Adriático. Alguns dos países dessas regiões estão a desenvolver um planeamento do uso da terra e dos impactes ambientais;

* Um argumento muitas vezes colocado contra a aquicultura respeita à utilização de espécies de baixo custo como forma de alimento de espécies (carnívoras) de maior valor. Entre outros fatores, e em termos ecológicos, embora converter algumas unidades de biomassa piscatória em uma unidade de biomassa de peixe seja ineficiente, a aquicultura é uma atividade económica onde a ineficiência é aferida em termos monetários, não em termos de biomassa ou de eficiência energética. Daí, a utilização de biomassa de peixe prosseguirá enquanto for economicamente vantajosa;

* Contudo, este contexto significa que a expansão da aquicultura (e de sectores de produção animal) está a concorrer para uma situação referida como “the fish meal trap”. Nesta situação de aparente oferta limitada de alimentação de peixe (e de óleo de peixe) e assumindo pequena ou nenhuma melhoria na eficiência deste tipo de alimentação, a expansão da aquicultura poderá estar condicionada. Mesmo com ofertas estáveis de matéria-prima peixe para produção de peixe, é avançado que a crescente procura de alimentação na forma de peixe continuará a elevar os preços de peixe (e de óleo de peixe). Alcançando um certo nível de preços, a utilização de matéria-prima de peixe e de óleo de peixe deixará de ser financeiramente viável;

* Este quadro realça a necessidade de redução da base em alimentação de matéria-prima de peixe, bem como de aumentar a eficiência da sua utilização. A investigação e a pesquisa de soluções torna-se fundamental, daí ser prosseguida em muitos países produtores, em termos consideráveis, com vista a essa necessidade.

*Excerto apresentado por SOAMAR Brasil em Portugal


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