A produção de petróleo e gás natural do Brasil

Wladmilson Borges de Aguiar
Capitão-de-mar-e-guerra (Brasil)

Nos últimos 15 anos a produção de petróleo e gás natural do Brasil vem aumentando significativamente e em 2011 foi a maior registrada, de acordo com relatório divulgado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). No ano passado, o setor produziu 768 milhões de barris de petróleo e 24 bilhões5 de metros cúbicos de gás natural, que representam um total de 919 milhões de barris de óleo equivalente (BOE) 6, com um escoamento diário médio de 2,52 Milhões de BOE por dia.

A produção de petróleo no Brasil em 2011 foi também a maior registrada. Em comparação com o ano de 2010, cuja produção diária média ficava em torno de 2,45 milhões de BOE por dia, o resultado alcançado em 2011 representa um crescimento de 2,85% na produção média diária em BOE, o que equivale a um aumento de 2,5% na produção de petróleo e aumento de 4,9% na produção de gás natural. A produção de petróleo em dezembro/2011 também foi recorde, e atingiu um volume médio de 2,663 milhões de BOE por dia.
A produção do pré-sal no mesmo mês foi de 200,6 milhões de BOE por dia. Dos nove poços produtores com reservatórios no pré-sal, oito estão entre os trinta poços com maior produção total, em BOE. Cerca de 91,2% da produção de petróleo e gás natural são provenientes de campos operados pela Petrobras. A produção de petróleo e gás natural no Brasil é oriunda de 9.043 poços e nos últimos dez anos a produção de petróleo cresceu 45% e a de gás natural aumentou 55%. De acordo com dados consolidados de 2010 pelo Anuário Estatístico do Petróleo da ANP de 2011, o Brasil passou a ser o 12º país produtor de petróleo do mundo e o 9º país do mundo na capacidade de refinação de petróleo. Em termos de reserva o Brasil detém a 15º maior reserva provada do mundo, 14,2 bilhões de barris de petróleo.

A maior parte do petróleo e gás natural é extraída de campos da PC do Brasil, localizados nas Bacias de Campos e Santos, no sudeste do país. A produção marítima corresponde a 91,2% da produção total brasileira e 95% das reservas de petróleo do Brasil estão localizadas na PC.
Cabe ressaltar que os campos petrolíferos se afastam cada vez mais da costa e ocorrem em águas com profundidades superiores a 2700 metros e profundidade total de mais de 7000 metros, somando-se nesse caso a lâmina d’água com a camada da crosta terrestre. As descobertas de poços da camada pré-sal se aproximam rapidamente do limite da ZEE e PC brasileira, estando a cerca de 360 km da costa. Este cenário é motivo de preocupação das autoridades brasileiras, pois pode gerar no futuro a cobiça internacional.

Tomando-se em conta uma perspectiva otimista, caso sejam realizadas novas descobertas na camada pré-sal e provadas as descobertas recentes, as reservas de petróleo brasileiras poderão chegar a cerca de 100 bilhões de barris num curto espaço de tempo. O campo de Tupi, da camada pré-sal tem uma reserva confirmada pela PETROBRAS de oito bilhões de barris de petróleo, sendo considerada uma das maiores descobertas do mundo dos últimos anos.
De acordo com presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, a produção de petróleo do Brasil poderá atingir 6,1 milhões de barris em 2020, triplicando o valor da produção atual, em consequência da exploração do pré-sal. Em relação ao gás natural, a estimativa da EPE é um aumento dos atuais 58 milhões de metros cúbicos por dia, para 142 milhões de metros cúbicos por dia em 2020.

Além dos aspectos estratégicos envolvidos, importa comentar que junto com as descobertas petrolíferas ocorreram o desenvolvimento de tecnologias e logística para a prospecção, produção e distribuição do petróleo e gás natural. Todos estes processos em conjunto propiciaram um ciclo virtuoso de crescimento económico, educacional, tecnológico e industrial do país. Alguns setores apresentaram crescimento acentuado, como a construção naval e a navegação de apoio à exploração. A MB também se beneficiou com esta situação, e recebeu recentemente várias navios-patrulha (NPa), justamente para serem utilizadas na defesa e salvaguarda dos interesses do Brasil na área em questão.
A região do AS tem sido alvo nos últimos anos de significativos investimentos financeiros, por empresas estrangeiras e multinacionais, devido a um crescente mercado consumidor, e também por ser rica em alimentos e matérias primas essenciais para a economia mundial. O crescimento e a estabilidade ecónomica de países como o Brasil, África do Sul, Argentina e Angola favoreceram este movimento.

A produção de petróleo na região cresceu nos últimos anos, especialmente no Brasil e nos países da África Ocidental, sobretudo em suas plataformas continentais, e se somarmos a produção da América do Sul e Central com a da África chegamos a valores de 17.1 milhões de barris de petróleo/dia (tabela 5). Este volume é maior que o da América do Norte, 13,8 milhões de barris/dia de petróleo e muito próximo do produzido na Europa/Federação Rússia, 17,6 milhões de barris de petróleo/dia.
As três principais economias mundiais, Estados Unidos, China e Japão se encontram numa situação pouco confortável no que tange ao déficit corrente de petróleo. Os EUA, apesar de serem o terceiro maior produtor mundial de petróleo 7,5 milhões de barris/dia, atrás apenas da Rússia 10,2 milhões de barris/dia e da Arábia Saudita 10 milhões de barris/dia, são de longe o país que mais consome o ouro negro, 19,1 milhões de barris/dia.

A China produz cerca de 4 milhões de barris/dia; porém, é o segundo maior consumidor com 9,1 milhões de barris/dia, e o Japão não produz petróleo sendo, no entanto, o terceiro maior consumidor com 4,5 milhões de barris/dia.
O quarto maior consumidor mundial é a Índia com 3,3 milhões de barris/dia e também está numa situação difícil, pois só produz 826 mil barris/dia.
Ao analisarmos a relação produção/consumo, percebemos que os resultados também são favoráveis para a região do AS. Esta relação de acordo com as Regiões Geográficas, e demonstra claramente os excedentes de petróleo na Região da África e da América do Sul e Central quando comparamos uma tabela com a outra. Por outro lado observamos um consumo maior que a produção na Ásia, na Europa e na América do Norte.

Outra análise importante é a da relação entre as reservas provadas de petróleo e a produção. Em 2010 as reservas mundiais de petróleo eram suficientes para apenas 46 anos de produção global. O mais interessante é que a relação reserva/produção da America do Sul e Central superou a do Oriente Médio e é estimada atualmente em cerca de 94 anos. Na América do Norte e região da Ásia/Pacífico esse valor é de apenas 18 anos, o que poderá gerar uma competição internacional por esta riqueza no futuro, caso não sejam descobertas
E por fim, ao analisarmos as reservas mundiais de petróleo em 2010, fica evidente a importância geoestratégica do AS, por estar localizado entre a segunda e a quarta maiores reservas mundiais e principalmente por ser uma área livre de tensões políticas e religiosas, como as que assolam o Oriente Médio, principal reserva mundial.
Essa posição de destaque do AS poderá ser reforçada ainda mais com o incremento da exploração dos campos petrolíferos em águas profundas e ultra-profundas da PC do Golfo da Guiné, de Angola e do Brasil. Esta mudança de paradigma em relação ao petróleo foi percebida pelos grandes importadores mundiais de petróleo, que passaram a investir na região, nomeadamente no Brasil, na Nigéria e em Angola.

No primeiro trimestre de 2012 as exportações de petróleo bruto do Oeste Africano registraram as maiores marcas nos últimos tempos, após o embargo do petróleo do Irão, estratégia que está sendo usada pelo Ocidente para conter os planos de Teerão de produzir armas nucleares. Esta medida cortou o fornecimento de petróleo da rota de Teerão para Pequim, o que fez a Índia e a China procurar fontes alternativas do produto.

O Petróleo bruto da África Ocidental possui baixo teor de enxofre e é um dos favoritos entre os países de todos os continentes, incluindo América do Norte, Ásia e refinadores europeus.
As importações chinesas de petróleo angolano cresceram em 20% quando comparadas a dezembro/2011, efeito do declínio gradual no abastecimento de petróleo do Irão. Além da China, Taiwan e Japão também têm importado petróleo de Angola, Gabão e Oeste Africano em resposta ao déficit iraniano.
A Nigéria exporta cerca de 50% do petróleo que produz para os EUA, sendo que o petróleo do golfo da Guiné é de excelente qualidade e pode ser utilizado nas refinarias americanas da costa leste. Outros países africanos produtores de petróleo também consideram a America do Norte como principal cliente e exportam cerca de 80 a 95% da sua produção para aquela região.

*Excerto apresentado por SOAMAR Brasil em Portugal


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