A Indústria Naval

Indústria naval, portos e Marinha Mercante

O Brasil possui um litoral cuja extensão é superior a 7.400 km e mais de 95% das cargas que entram e saem do país são transportadas por via marítima, razões suficientes para justificar a existência de um expressivo Poder Marítimo.

A maior parte dos países que possuem características semelhantes adota medidas que visam a fortalecer esse Poder, dedicando especial atenção a todos os elementos que o constituem, dentre eles a indústria naval, que inclui os estaleiros de construção e reparos. Desse modo, a indústria de construção naval nacional assume importância estratégica, com a produção de navios para a Marinha Mercante e, sobretudo, para a Marinha de Guerra com o projeto e construção de navios militares, buscando reduzir a dependência tecnológica de outras nações e em prol do desenvolvimento do país.

A indústria naval é tida por muitos países como um setor estratégico, sendo apoiada e incentivada por diversas políticas estatais e considerada como um empreendimento da sociedade que necessita da mobilização de elevados contingentes de mão de obra, bem como grande aporte de recursos. Esta indústria influencia a economia dos países devido ao elevado fator da multiplicidade que produz ao longo de sua cadeia produtiva. Outro aspecto relevante é que esta indústria funciona como elo de inserção dos países na economia mundial, através da logística de transportes dos bens produzidos.

A frota mercante bem como estaleiros, a indústria de construção naval e sua vertente militar, são de fundamental importância para o fortalecimento do Poder Marítimo e por consequência, todo esse contingente provê a Defesa Nacional. Portanto, relacionada diretamente ao contexto de defesa está a indústria de construção naval, a fim de projetar e construir não apenas navios mercantes, mas também participar ativamente do processo constante e contínuo de modernização e aparelhamento da Marinha de Guerra do Brasil.

Os novos e vultosos investimentos recentes voltados para a exploração dos recursos do mar e os fluxos marítimos em geral também se faz notar no acelerado ritmo de expansão da indústria naval nacional. Como se sabe, o impulso para o crescimento desse setor vem principalmente da Petrobrás com a sua imensa demanda por navios petroleiros, navios-sondas e plataformas marítimas. Essa retomada de investimentos também tem ativado o subsetor de construção de navios mercantes graneleiros e de carga geral. Com isso, a indústria naval brasileira que entrara em declínio em meados dos anos 1980 ressurge com força e o país conta hoje com quase duas dezenas de estaleiros de todos os portes.

Por outro lado, essa nova escala dos fluxos marítimos tem gerado impactos de toda ordem e o mais evidente deles ocorre nas regiões costeiras e na rede portuária em particular. O Brasil tem enorme vantagem comparativa no que se refere à disponibilidade de sítios portuários naturais e conta com mais de uma dezena deles distribuídos ao longo dos seus 7.500 Km de litoral e em praticamente todos os estados costeiros, com destaque para o Maranhão, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul . A penosa e, sob muitos aspetos, mal sucedida batalha dos últimos anos pela recuperação e modernização dessa extensa infraestrutura portuária é a cabal expressão – ainda que em sua face negativa – da força dos vetores e demandas relacionados a essa renovada valorização do mar na atualidade.

As mudanças decorrentes do novo quadro de fluxos marítimos e a reconfiguração das zonas portuárias e litorâneas em geral também se estendem na direção da hinterlândia do país. Antigas e novas regiões situadas a grandes distâncias do litoral passam a se organizar de acordo com logística que têm sido estruturadas pelas demandas induzidas pela expansão e capilaridade das regiões produtoras (exportadoras e importadoras) e suas redes de circulação em todas as escalas.

*Excerto apresentado por SOAMAR Brasil em Portugal


Temas: , ,



Apoios e Parcerias