A Importância do Petróleo

O petróleo continuará a atender à maior parte das necessidades globais de energia até ao final do século XX. Entretanto, existe uma grande possibilidade de que a importância do petróleo tenha sido subestimada nas previsões:

l. O petróleo é considerado o combustível “quebra-galho” compensando todas as deficiências na produção de fontes de energia alternativas; assim, se houver qualquer atraso no desenvolvimento e produção de carvão, gás natural e energia nuclear, o petróleo terá que compensar a diferença.

2. As previsões supõem que, no futuro, as taxas de crescimento do PNB serão menores que as taxas históricas; se no futuro as taxas de crescimento do PNB voltarem à tendência antiga ou superarem os valores usados nas previsões, o petróleo terá que atender a uma maior demanda de energia. Como as previsões tendem a ser excessivamente influenciadas por eventos correntes ou de curto prazo, existe a possibilidade de que as taxas de crescimento supostas sejam, na realidade, pequenas demais.

3. Se a queda do consumo de petróleo foi mais uma consequência da recessão do que um resultado da alta dos preços, a recuperação econômica estimulará o consumo.

4. Se o preço de alternativas energéticas a curto prazo acompanhar os preços mundiais do petróleo, os incentivos para a substituição (que pode também envolver a compra de novos equipamentos e outros investimentos iniciais) serão reduzidos, enquanto que os incentivos para aumentar a produção interna de petróleo se tornarão maiores; em consequência, a substituição de petróleo por outras fontes de energia poderá ser retardada.

5. A mentalidade de crise que apareceu como consequência do embargo de 1973 já diminuiu, e parece haver um senso muito menor de urgência com relação à necessidade de desenvolver alternativas para o petróleo, pelo menos para o público em geral.

Além do mais, muitas das previsões dependem da capacidade dos governos de elaborar, promulgar e implementar uma política energética abrangente. Se os governos foram incapazes de fazê-lo, como até agora, o desenvolvimento de formas alternativas de energia poderá ser retardado. Como as previsões dependem da implementação dos programas nacionais de conservação, podem superestimar o grau de decisão política existente nos países industrializados. Em geral, o desempenho econômico sofrível dos países industrializados tem levado os governos a manterem os preços internos do petróleo abaixo dos preços internacionais, diminuindo assim os efeitos de conservação e incentivo da alta dos preços. Além disso, em alguns países a incerteza a respeito dos papéis do governo e do setor privado inibe as atividades de ambos no setor energético. Em todos esses casos, o resultado é o aumento continuado da demanda do petróleo e um desenvolvimento mais lento de alternativas energéticas.

Os prazos de maturação associados ao desenvolvimento de fontes alternativas ou suplementares de energia são bastante longos. Os seguintes prazos de maturação estimados (anos entre a decisão e o início das operações) provavelmente otimistas são ilustrativos:

• Desenvolvimento de campo provado, mas sem produzir, no Oriente Médio 1-2 anos

• Aumento da produção de campo de petróleo, nos Estados Unidos 1-3 anos

• Extração de petróleo da plataforma continental, nos Estados Unidos 9-14 anos

• Mina de carvão a céu aberto 2-4 anos

• Mina de carvão subterrânea 3-6 anos

• Usina elétrica a óleo, geotérmica ou usando combustíveis sintéticos 5 anos

• Usina elétrica a carvão 5-8 anos

• Usina hidrelétrica 5-8 anos

• Produção de petróleo e gás natural em novos campos, nos Estados Unidos 3-12 anos

• Prospecção e mineração de urânio 8-10 anos

• Gaseificação de carvão 10-15 anos

• Areias petrolíferas e xisto 5-10 anos

O efeito desses longos prazos de maturação se torna mais claro quando somamos a esses números os atrasos na tomada de decisões, resultantes de políticas governamentais ambíguas, e o fato de que o inicio das operações não corresponde ao ponto de máxima contribuição.

Todas as indicações disponíveis sugerem que apenas depois de depois do final do século XX e as fontes alternativas de energia – óleo de xisto, óleo de areias petrolíferas, energias marítimas, aeólicas, biomassa, hidrogênio e solar – foto voltaica -começarão a contribuir significativamente para o suprimento total de energia.

O tempo, nesse caso, se torna de importância vital. É bem possível que as fontes alternativas de energia não sejam desenvolvidas com rapidez suficiente ou em escala suficiente para evitar crises esporádicas de energia e a ocorrência de uma escassez global de petróleo. Será difícil coordenar os muitos aspectos da relação oferta-demanda de petróleo, e crises esporádicas podem ser previstas, começando nos primeiros anos desta década.

A posição dominante do petróleo no suprimento total de energia

Está assegurada que até 2010/2020 que o petróleo seja destronado. Se não forem adotadas medidas imediatas quanto á inovação e implementação de energias alternativas, a situação no resto do século poderá ser basicamente a mesma: o petróleo ocupará uma posição dominante no suprimento de energia. Dar – se – á o Pico do Petróleo.

Além disso, mesmo que a participação do petróleo no suprimento total de energia possa ser reduzida até o final do século, a demanda continuará a aumentar em ter¬mos absolutos.

A importância das importações de Petróleo

Os países industrializados continuarão a depender do petróleo como principal fonte de energia, e isto por sua vez significam que os países industrializados, como um todo, continuarão a depender das importações de petróleo. Entretanto, existem diferenças entre os países do Mundo não desenvolvidos e pobres mais ricos em recursos naturais, quanto a: (I) a importância do petróleo para a economia; (2) o grau de dependência de importações; (3) as possibilidades de conservação de energia em geral e conservação de petróleo em particular; (4) a possibilidade de aumentar a produção interna de petróleo; (5) a vulnerabilidade à escassez de petróleo; (6) a possibilidade de usar outros recursos naturais para substituir o petróleo.

Para o Japão, o petróleo constitui a maior parte (70-75 por cento do consumo de energia primária. Além disso, praticamente 100 por cento do suprimento de petróleo do Japão ainda será importado. As perspectivas a longo prazo não são favoráveis, e é pouco provável que sejam descobertas reservas significativas de petróleo. A curto prazo, o Japão pode apenas procurar diversificar suas fontes de importação, para reduzir sua dependência em relação aos fornecimentos do Oriente Médio (75 por cento das importações de petróleo cru do Japão ), enquanto que a criação de uma reserva estratégica de petróleo cru poderia reduzir a vulnerabilidade do Japão a interrupções do suprimento. A prazo mais longo, apenas o desenvolvimento de fomes de energia alternativas particularmente a energia nuclear – reduzirá a dependência japonesa em relação ao petróleo, e portanto em relação às importações. A dependência energética, entretanto, continuará a ser um fato da vida e da mais grave conseqüência estratégica para o Japão, já que o país não dispõe de reservas significativas de nenhum recurso energético -nem carvão, nem urânio, nem petróleo, nem gás natural.

A Europa também continuará a depender de importações de petróleo. O petróleo será responsável por 50 por cento do consumo de energia. A produção de petróleo e gás no Mar do Norte poderá aliviar um pouco a situação, particularmente para a Inglaterra, mas uma dependência em relação às importações de petróleo da ordem de 70 a 85 por cento é prevista para a Comunidade Européia. O petróleo será responsável por quase 40 por cento do consumo de energia dos Estados Unidos, o pais ainda terá que importar 50 por cento do seu suprimento de petróleo. Talvez esta situação perdure até ao final da 1º década de 2000. A meta dos Estados Unidos de reduzir as importações de petróleo para menos de 6 MBD em 1985 parece difícil de ser atingida. E difícil acreditar que em menos de cinco anos o maior consumidor de energia do mundo consiga este feito. (Por outro lado, o petróleo representa uma menor porcentagem do consumo total de energia do que na Europa e no Japão. Além dis¬so, a porcentagem de petróleo importado é menor. Finalmente, os Estados Unidos dispõem de mais recursos energéticos alternativos que as outras duas regiões.)

A produtividade dos campos de petróleo Russo está diminuindo, e as reservas mais promissoras estão em ambientes hostis, longe dos mercados da Rússia Européia e da Europa Oriental. Os russos poderão desenvolver os campos da Sibéria Oriental com seus próprios recursos, mas o processo será longo e penoso. Não podemos excluir a hipótese de uma ajuda ocidental no futuro, mas quanto mais essa ajuda demorar, menos será necessária. A contribuição do petróleo da Sibéria Oriental só começará a se fazer sentir a partir de 2000 seja uma data mais realista. Nessa ocasião, o petróleo da Sibéria servirá apenas para compensar o esgotamento dos campos mais antigos.

O programa de conversão da economia interna para o petróleo provavelmente sofrerá certo atraso. Por outro lado, os russos podem preferir importar petróleo do Oriente Médio. Na Europa Oriental, os russos deverão encorajar países a também importar mais do Oriente Médio. Os soviéticos se comprometeram a fornecer 67 por cento do petróleo consumido pela Europa Oriental, uma redução substancial, mas em quantidades suficientes para manter a influência e o controle soviéticos. Os russos vão tentar manter as exportações para a Europa Ocidental, talvez mesmo à custa da redução dos fornecimentos para a Europa Oriental.

Ao mesmo tempo, com o rápido aumento do consumo na Rússia e na Europa Oriental e com o aumento dos preços do petróleo, as exportações soviéticas para o Ocidente provavelmente se estabilizarão em certo volume abaixo do que lhes daria uma influência econômica e política significativa sobre os países da Europa Ocidental. As exportações de petróleo para o Japão poderão aumentar um pouco, enquanto que exportações para a Europa Ocidental, da ordem de pouco menos de I MBD, parecem prováveis, Para praticarem uma chantagem econômica, os russos teriam que contar com a conivência de pelo menos alguns dos produtores do Oriente Médio. Nem a Europa Ocidental nem o Japão estão dispostos a trocar sua dependência atual do petróleo do Oriente Médio por dependência futura do petróleo russo.

Também não é provável que o petróleo russo venha a ser encarado como uma competição por parte dos países do Oriente Médio. Em outras palavras, não deverão surgir tensões entre os PMD exportadores de petróleo e a ex U.R.S.S. por causa dos mercados ocidentais, já que as exportações russas tenderão a se estabilizar c a situação de oferta-demanda no paÍs ficará mais equilibrada.

A ex União Soviética dispõe de vastas reservas “desconhecidas” de petróleo. Assim, a partir 2000 talvez os russos recuperem sua posição de auto – suficiência energética.

É preciso notar que a escassez de petróleo na ex União Soviética não será causada pela exaustão das reservas, e sim pelas dificuldades de explorar a tempo as reservas ainda não utilizadas.

Em conclusão, o desenvolvimento de alternativas internas, a substituição, a conservação e a redução da demanda de petróleo não eliminarão a dependência energética dos países industrializados, particularmente Europa e Japão. Talvez a contribuição relativa das diversas formas de energia mude um pouco, mas é evidente que a dependência de fontes de energia importadas, inclusive o petróleo, será uma realidade para os países industrializados.


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