Geopolítica Energética

As imensas reservas de onde o mundo extrai o seu petróleo estão limitadas a um pequeno número de países.

Desde o inicio da utilização moderna do petróleo, as maiores reservas foram encontradas no Oriente Médio; os maiores produtores, até recentemente, eram os Estados Unidos e a União Soviética. Atual mente, a U.R.S.S. parece estar na liderança, com a Arábia Saudita reduzindo rapidamente a diferença (com mais de 9 milhões de barris por dia [MBD]) e não tendo nenhuma dificuldade técnica para ultrapassar a União Soviética. Entretanto, o petróleo no comércio mundial-que é o ponto essencial, pois atende às necessidades dos países importadores-tem sido predominantemente o do Oriente Médio. Hoje em dia, esse petróleo constitui cerca de 75 por cento do petróleo no comércio internacional.

As reservas indicam o volume de petróleo em um dado campo, país ou região que pode ser extraído com lucro aos preços correntes e com a tecnologia disponível. A capacidade de produção é a quantidade de petróleo que pode ser extraída com as instalações de produção existentes. As reservas dos principais produtores (com os níveis atuais de produção e a “capacidade de reserva” indicados) e sua participação no comércio mundial de petróleo fornecem a visão mais completa da importância atual desses países. Os membros da OPEP dominam o petróleo do mundo; sua produção é de cerca de 30 MBD. Os países comunistas produziam 12 MBD e o resto do mundo mais 16 MBD. As reservas de petróleo da OPEP (“estimadas” e prováveis) também dominam: quase 480 bilhões de barris, comparadas com 65 bilhões de barris dos países comunistas e 120 bilhões de barris do resto do mundo. Entre os países da OPEP, as nações do Golfo Pérsico ocupam uma posição especial. São responsáveis por 23 MBD (e têm capacidade para produzir 28 MBD); suas reservas são atualmente da ordem de 365 bilhões de barris.

Necessidades de Transportes e Refino do Mundo Industrializado

Existem três requisitos básicos para o fornecimento de petróleo:

Produção, transporte e refinação. A produção atual de petróleo destinado ao comércio mundial está, para todos os fins práticos, sob o controle político dos países da OPEP. (O Canadá é no momento a única exceção, mas a política oficial do governo tem sido no sentido de dimi¬nuir as exportações para atender ao consumo interno.) O “controle” não é absoluto, naturalmente, mas o papel dos governos dos países produtores no controle dos níveis de produção não tem precedentes na História.

O transporte de petróleo está atualmente sob o controle de países que não fazem parte da OPEP. A imensa maioria dos petroleiros pertence ou estão alugados a uma companhia internacional de petróleo. No caso de cortes do fornecimento, esses navios ainda estão sob controle suficiente para atenderem às instruções das companhias. Ou, se as companhias. Estiverem sofrendo uma pressão muito grande do país produtor, às diretrizes das grandes potências (exceto á ex União Soviética). Quanto à tonelagem, revelou-se adequada nas três grandes crises de 1956, 1967 e 1973, mas foi insuficiente em 1970. É mais que adequada em 1980, incluindo navios de menor tamanho que são necessários para os portos norte-americanos; os excedentes atuais de tonelagem são da ordem de 40 por cento. A ex União Soviética parece possuir um número suficiente de petroleiros para atender a suas necessidades e aos compromissos externos. Os países da OPEP não detêm mais que 3 por cento da tonelagem de petroleiros no comércio mundial.

Os oleodutos são encontrados principalmente no interior dos Estados Unidos, Canadá, Europa e União Soviética. São ingredientes essenciais para o fornecimento seguro e contínuo de petróleo e gás natural. Nenhum deles, naturalmente, está sob o controle de uns pais mem¬bro da OPEP. Apenas os oleodutos e gasodutos que abastecem a Europa com petróleo e gás soviético devem ser considerados atualmente como vulneráveis a uma interrupção por motivos políticos ou de guerra econômica. Os oleodutos do Irã e o sistema através do qual o Iraque e a Arábia Saudita fornecem petróleo aos países do Leste do Mediterrâneo estão sob o controle exclusivo do pais importador (ou são compartilhados em trânsito). Nenhum deles é essencial (por causa dos pequenos volumes de petróleo e da existência de rotas e terminais alternativos) para o comércio internacional de petróleo. A instalação do novo oleoduto da Arábia Saudita para o Mar Vermelho provavelmente não mudará a situação.
As vulnerabilidades do suprimento no atual sistema logístico estão relacionadas:

(I) à contribuição para a energia da Europa do petróleo e gás produzidos pela ex União Soviética ou que transitam por esse pais; e

(2) à composição quantitativa e qualitativa da frota mundial de petroleiros. Com referência ao primeiro item, os fornecimentos da ex U.R.S.S. não foram expressivos, por qualquer critério, mas são obviamente um fator que deve ser observado no futuro, especialmente com relação ao gás natural. No caso dos petroleiros, a tendência para navios maiores e mais especializados poderá no futuro reduzir a flexibilidade do sistema logístico.

Quanto às refinarias, a capacidade de processamento dos principais países consumidores de energia é no momento mais que suficiente. Todos possuem uma rede de refinarias capaz de atender a suas necessidades energéticas (no caso dos Estados Unidos, as importantes refinarias das Antilhas são consideradas “seguras”). As intenções expressas dos países produtores de petróleo de passarem a refinar eles mesmos o produto até hoje não se concretizaram. As refinarias são controladas pelos países industrializados. No fornecimento de petróleo refinado, apenas as refinarias das Antilhas levantam questões de segurança de transporte; quase todo o petróleo do comércio mundial é transportado como petróleo bruto. Além do mais, nenhum pai da OPEP representa individualmente um segmento importante do consumo mundial de petróleo; mesmo tomados em conjunto, esses países não consomem uma quantidade significativa: o consumo total dos países da OPEP é da ordem de 2 MBD. Os grandes mercados do petróleo da OPEP estão concentrados nos países industrializados.


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