Reservas de Petróleo

Concentração das Reservas

Em 1980, O Oriente Médio e a África foram responsáveis por 65 por cento das reservas provadas mundiais de petróleo bruto (78 por cento das reservas provadas do Mundo ); entretanto, o consumo do Oriente Médio e da África representou apenas 5 por cento do consumo mundial. As reservas da OPEP constituíam 66 por cento das reservas provadas mundiais (80 por cento), enquanto que as da OPAEP correspondiam a 50 por cento. Ao mesmo tempo, a América do Norte e a Europa Ocidental detinham apenas 15 por cento das reservas mundiais (o Japão não tinha reservas), mas as três regiões eram responsáveis por 65 por cento do consumo mundial.

É extremamente improvável que este padrão venha a sofrer qualquer mudança significativa. Pelo contrário, a tendência é no sentido de que as reservas se concentrem em um número de países cada vez menor – isto é, os países do Golfo Pérsico à medida que o consumo dos países industrializados for aumentando em relação a suas reservas. Não é provável que o aumento das reservas de petróleo dos países industrializados seja maior que o aumento do consumo.

A prospecção intensiva, o uso de novas técnicas de recuperação, a adoção de medidas de conservação e a redução do consumo de petróleo não evitarão um declínio da relação reservas/produção. Além do mais, dados os longos prazos de maturação entre descoberta, desenvolvimento e produção plena, um aumento imediato das reservas só começaria a contribuir para o suprimento do petróleo a partir de meados da próxima década.

Categorias de Reservas

Com o aumento dos preços do petróleo, tornou-se um hábito ir além da espera das reservas provadas é falar de outras categorias de reservas que, com os preços mais altos, podem tornar-se econômico.

As reservas provadas, de acordo com o American Petroleum Institute, são as “qual1lidades de petróleo cru no solo que dados geológicos e de engenharia demonstram com razoável certeza que são recuperáveis de reservatórios conhecidos, de acordo com as condições técnicas e econômicas de operação vigente”. Nas estatísticas, geralmente são citadas as reservas provadas.

Tipicamente, a taxa de recuperação de um campo em exploração é baixa-da ordem de 30-40 por cento na média (o mínimo é de cerca de 20 por cento) -e o resto do petróleo só pode ser extraído com o auxílio de técnicas de recuperação. Além disso, quando um campo é desenvolvido, as estimativas das reservas muitas vezes são corrigidas à medida que as características do campo passam a ser conhecidas com maior precisão. “O petróleo adicional que pode ser recuperado de um campo existente sob a forma de uma reavaliação das reservas ou através de recuperação secundária ou terciária é chamado de reservas prováveis”. Somando as reservas “provadas” às reservas “prováveis”, obtemos as reservas totais descobertas.

É também possível estimar as reservas não-descobertas a partir de indícios geológicos ou outras técnicas sofisticadas. As reservas não descobertas são chamadas de “reservas possíveis”, e sua existência e tamanho estão sujeitos a grandes incertezas. “Combinando as reservas descobertas e não-descobertas e supondo um fator de recuperação de 40 por cento, obtemos um número que é chamado de reservas ‘ ‘recuperáveis”.

As reservas totais de petróleo constituem uma medida de quantidade de petróleo que se acredita existir na Terra, deixando de lado a questão da viabilidade técnica e econômica da recuperação.

Muitos argumentam que com o aumento dos preços as reservas prováveis se tornarão econômicas e a prospecção de novos campos será estimulada. Se o clima de investimento for favorável, talvez isto venha a ocorrer. Mas isto não diz nada a respeito das limitações impostas pela falta de conhecimentos geológicos e de engenharia, a necessidade de grandes investimentos de capital, a disponibilidade dos equipamentos necessários e considerações ambientais. Além disso, o preço terá que ser suficientemente alto e aparecer no mercado (isto é, estar livre de controles governamentais de preços). Finalmente, e o que é mais importante, o petróleo terá que existir realmente para ser descoberto e explorado.

Serão tomadas medidas para desenvolver as reservas prováveis e acelerar a prospecção; mas o progresso poderá não ser suave, rápido ou pouco oneroso.

Reservas Recuperáveis

Acredita-se que as reservas recuperáveis mundiais são da ordem de 1,6 trilhões de barris; desse total, 37 por cento ou 608 bilhões de barris já foram descobertos. A conversão de reservas prováveis em (reservas provadas não altera a concentração de reservas de petróleo que mencionamos há pouco. Dos 608 bilhões de barris de reservas descobertas (provadas mais prováveis), 360 bilhões estão localizados no Oriente Médio.

As reservas recuperáveis totais (provadas mais prováveis mas não descobertas) do Oriente Médio são estimadas em mais de 510 bilhões de barris. Desse total, 360 bilhões já foram descobertos, mas apenas uma pequena parte foi explorada, de modo que ainda restam imensas reservas para exploração futura. Acredita-se que as maiores reservas não-descobertas estejam na ex União Soviética e na China. Estima-se que dos 380 bilhões de barris de reservas recuperáveis na ex U.R.S.S., apenas 80 bilhões foram descobertos. Assim, cerca de 300 bilhões de barris, a maior parte na Sibéria Oriental, ainda serão descobertos.

Grandes aumentos das reservas dos Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão não são previstos. Já observamos que de qualquer forma um aumento “grande” não seria suficiente; apenas uma descoberta realmente gigantesca poderia ameaçar a posição dos produtores do Oriente Médio. O aumento das reservas do decorrerá da ampliação de campos existentes e da extração de petróleo das plataformas submarinas, ou pelo menos esta é a opinião da maioria dos observadores.

Produção de Petróleo

As reservas estabelecem um limite máximo para o que pode ser feito; entretanto, não dizem muita coisa a respeito do que realmente será feito. E evidente que níveis diferentes de reservas sustentam níveis diferentes de produção, dependendo da demanda, preço, disponibilidade de apoio logístico para exportações, características geológicas das áreas produtoras, capacidade tecnológica, considerações de conservação e os objetivos políticos e econômicos do governo produtor. Assim, por exemplo, os Estados Unidos, com cerca de 27 bilhões de barris de reservas provadas e prováveis, produziu 3,1 bilhões de barris em 1979, enquanto o Iraque, com 31 bilhões de reservas provadas e prováveis, produziu apenas 1,2 bilhão de barris em 1979. O ponto essencial aqui é que a intensidade com que uma dada quantidade de reservas será ex¬plorada dependerá de muitos fatores, alguns econômicos e algumas políticas.

Existe, entretanto, uma correlação positiva entre reservas e produção. Assim, não é de surpreender que encontremos a produção concentrada em regiões fora dos países industrializados A partir de 1985, a produção ficou estabilizada, talvez até 2010, quando começará a diminuir -a menos que as reservas do Mar do Norte correspondam á expectativas dos mais otimistas. De qualquer forma, assim como o aumento das reservas será menor que a produção (provocando assim uma diminuição das reservas), a produção será menor que o consumo, c o aumento da produção não evitará a necessidade de grandes importações de petróleo.

Com os países industrializados produzindo o máximo possível de petróleo, a produção desses países passará por um pico e começará a decair pouco depois de 2010. A produção japonesa continuará a ser insignificante até o final do século, a menos que sejam descobertas reservas na plataforma continental. A taxa de aumento da produção soviética deverá ser pequena até que os campos da Sibéria Oriental entrem em produção, o que não deverá ocorrer antes de 2000 Nessa ocasião, a produção da Sibéria não deverá contribuir muito para o aumento global, servindo apenas para compensar a queda da produção dos campos mais antigos.

Secundária e Terciária

Hoje em dia muitos depositam grande confiança no uso de técnicas especiais para aumentar a produtividade dos campos petrolíferos. Nos campos dos Estados Unidos, a quantidade de petróleo que é extrai da de um campo sem o auxilio de técnicas especiais é da ordem de 30 a 40 por cento. Os norte-americanos têm maior experiência do uso das técnicas de recuperação do que todos os outros países. Assim, a discussão do uso dessas técnicas se aplica basicamente aos Estados Unidos, embora o Irã e a Arábia Saudita também estejam fazendo experiências neste sentido.

De acordo com a estimativa de uma grande companhia de petróleo-que não difere significativamente de outras estimativas-as reservas recuperáveis de petróleo dos Estados Unidos são da ordem de 252 bilhões de barris, sendo que a produção total até 2000 foi de 106 bilhões de barris. O resto, 146 bilhões de barris, está “disponível”, supondo que a produção, as técnicas de recuperação e a economia justifiquem o esforço. Calcula-se que o uso de técnicas de recuperação eficientes poderia aumentar a percentagem de petróleo recuperado de 20 por cento para 37-47 por cento. No caso de novas descobertas, a taxa de recuperação poderá ser da ordem de 32 por cento, a porcentagem mais baixa refletindo o fato de que os campos futuros ficarão provavelmente na plataforma continental ou, se em terra, em reservatórios menores, mais profundos e de pior qualidade – campos mais difíceis de atingir e de exploração mais cara.

Assim, o uso de técnicas especiais de recuperação é extremamente importante. Entretanto, o que muitos esquecem é que as técnicas de recuperação secundária -uso de água, vapor, gás e produtos químicos, bombeados em um reservatório para facilitar a extração do petróleo têm sido aplicadas com sucesso em um número relativamente pequeno de campos e apenas quando as características do campo são muito bem conhecidas e as técnicas são usadas corretam ente; é preciso usar uma combinação de habilidade com um sistema complexo e sofisticado de exploração. Não se trata de um processo simples, aplicável a todos ou mesmo à maioria dos campos.

As famosas técnicas de recuperação terciária, que utilizam uma tecnologia mais avançada para aumentar ainda mais o rendimento dos campos, ainda não foram usadas fora dos laboratórios; talvez só possam ser aplicadas daqui a dez anos. E difícil calcular a quantidade adicionai de petróleo que essas técnicas permitirão recuperar.

Relação Reservas-Produção

A relação reservas/produção é um indicador da longevidade das reservas de petróleo aos níveis de produção correntes. Na prática, os níveis de produção não se mantêm constantes e as estimativas das reservas são corrigidas à medida que a própria exploração revela novas informações a respeito das características do campo. Além disso, a utilidade do indicador é suspeita, já que, até hoje, nenhum país foi capaz de definir uma relação reservas/produção ideal. Na verdade, a pergunta: “por quantos anos um campo deve ser explorado, e com que nível de produção?” ainda não foi respondida.

O relatório do Congressional Research Service “Toward Project Interdependence: Energy in the Coming Decade” contém um cálculo interessante. Se a produção de petróleo aumentar à razão de 4 por cento ao ano e se a demanda de petróleo aumentar à razão de 4 por cento ao ano, 844 bilhões de barris de reservas recuperáveis serão necessários para manter uma relação reservas/produção de trinta e cinco anos. Subtraindo a produção acumulada das reservas recuperáveis atuais, chegamos à conclusão de que para isso será preciso descobrir novas reservas que totalizem 490 bilhões de barris. Para fazermos uma comparação, a produção mundial de petróleo entre 1918 e 1973 foi de pouco menos de 300 bilhões de barris, e as novas reservas vêm sendo descobertas à razão de apenas 15-20 bilhões de barris por ano desde a década de 1940, um número que inclui os fabulosos campos do Oriente Médio e da ex U.R.S.S.

Se, como previsto, a taxa futura de aumento das reservas for de apenas 15-20 bilhões de barris por ano, a produção anual será cada vez maior que as descobertas do mesmo período, de modo que as reservas tenderão a diminuir. Se excluirmos, por motivos de segurança, as reservas descobertas no Oriente Médio e no ex Bloco Soviético, a incapacidade do mundo de obter reservas suficientes se tornará evidente: no período 1950-1973, apenas 105 bilhões de barris de reservas provadas foram encontrados fora da ex U.R.S.S. e do Oriente Médio, o que corres.?

Por outro lado, as estimativas de reservas não-descobertas sugerem que é tecnicamente viável que reservas maiores que os últimos cinqüenta e cinco anos de produção sejam acrescentadas às reservas recuperáveis. Entretanto, o progresso provavelmente será lento: a prospeção dessas reservas será muito dispendiosa, e elas estarão localizadas em ambientes hostis. De qualquer forma, apenas uma parcela dessas reservas adicionais estará localizada nos países industrializados. Além disso, os longos prazos de maturação tornam improvável que essas reservas sejam descobertas e exploradas a tempo de atenderem aos aumentos da demanda. Lembrando a finalidade da relação reservas/produção, a conclusão é a de que haverá uma escassez de petróleo no período entre 2010 e o final do século.

Muitos países nunca chegarão a uma relação reservas/produção de trinta e cinco anos e não conseguirão nem mesmo manter a relação atual. As reservas dos Estados Unidos representam talvez dez anos de produção aos níveis atuais. É provável que esta relação diminua ainda mais, com a entrada em produção dos campos do Alasca. Na Europa, a relação reservas/produção pode levar a conclusões errôneas: as reservas do Mar do Norte estão incluídas, mas a produção do Mar do Norte ainda é relativamente pequena. Na Rússia, tanto a produção como as reservas tendem a aumentar, mas a relação reservas/produção, que é atualmente de vinte anos, deverá diminuir.

Não vale a pena continuarmos a analisar a relação reservas/produção. O que é importante é que o aumento das reservas provavelmente será pequeno demais e lento demais para manter as relações reservas/produção correntes. Além disso, a deterioração ocorrerá mais rapidamente nos países industrializados. A partir de 2010, a capacidade ociosa do Oriente Médio também começará a cair.


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