Procura do Petróleo

Consumo e Demanda de Petróleo

As vantagens do petróleo como combustível incluem: (I) disponibilidade em quantidade suficiente e, até recentemente, por baixo preço; (2) facilidade de transporte; (3) versatilidade e facilidade de substi¬tuir outras fontes de energia. O consumo mundial de petróleo quintuplicou nos últimos vinte e cinco anos. O consumo dos Estados Unidos quase triplicou, passando de 6 MBD para 17 MBD no mesmo período, enquanto que o consumo de petróleo nos países do Este Europeu aumentou por um fator de dez.

Os fatores que determinam os níveis de produção incluem:

I. População

Já que países com populações maiores necessitam de rendas maiores para assegurar um mínimo de investimentos econômicos e sociais, e assim manter a estabilidade política e encorajar o desenvolvimento econômico e o crescimento econômico auto-sustentado, os países altamente populosos precisam maximizar a renda proveniente do petróleo. Embora o tamanho da população tenha sem dúvida alguma influência sobre a necessidade de renda do petróleo, as metas do governo estão ligadas mais diretamente ás necessidades de renda do que a uma simples estatística de população. Quanto mais ambiciosas as metas do governo com relação ao futuro do país, maiores as necessidades de renda.

2. Estrutura da Economia

Se as metas do governo puderem ser atendidas por rendas de várias fontes, a necessidade de rendas de petróleo não será tão premente. Embora não seja provável que nenhum país produtor concorde em vender petróleo por um preço menor que o que considera como justo, a existência de outras fontes de renda pode permitir que um país limite a produção, de modo a prolongar a vida das reservas. A produção de petróleo como porcentagem do Produto Nacional Bruto, a renda do petróleo como porcentagem da receita do governo e as exportações de petróleo como porcentagem das exportações totais são indicadores da importância do petróleo em uma dada economia.

3. Planos de Desenvolvimento

Os planos de desenvolvimento do governo, embora em muitos países da OPEP os orçamentos raramente sejam cumpridos, constituem uma indicação dos rumos que os líderes da nação gostariam de tomar e dos preços que estão dispostos a pagar. Os planos de desenvolvimento permitem inferir a necessidade de importações e, portanto a renda necessária para pagar essas importações. Indicam ainda as possibilidades e limitações de outras fontes de renda. Assim, os planos de desenvolvimento podem ser importantes indicadores das futuras necessidades de renda de um país.

4. Reservas de Petróleo

Os governos com menores reservas podem ser mais cautelosos com os níveis de produção permitidos. Para prolongar a vida das reservas, níveis de produção conservadores podem ser adotados. Por outro lado, os países que dispõem de reservas maiores podem-Produzir mais sem comprometer a produção futura. Um país com pequenas reservas, mas com boas possibilidades de desenvolver fontes alternativas pode preferir uma grande produção, mesmo com o risco de esgo¬tar as reservas, para financiar os selares econômicos mais promissores.

5. Preços

O preço também é um fator muito importante, Quando os preços estão elevados, os países com pequenas reservas de petróleo podem obter uma renda aceitável com um nível de produção relativamente baixo, liberando assim o governo do dilema de escolher entre a conservação e a necessidade de receita. A estrutura do mercado de petróleo também é importante. Em um mercado com pequena capacidade ociosa e em uma situação de grande demanda, torna-se necessário limitar deliberadamente a produção.

6. Política Regional

A decisão da Arábia Saudita, em dezembro de 1976, de romper com quase todos os outros membros da OPEP e aumentar o preço do petróleo em apenas 5 por cento em 1977, em lugar do aumento de 10 por cento proposto pela OPEP, com um aumento de mais 5 por cento em julho de 1977, foi seguida por um aumento da produção da Arábia Saudita. Este é apenas um exemplo em que a política regional influenciou os níveis de produção. A decisão da Arábia Saudita de aumentar a produção para baixar os preços pode ter sido motivada, em parte, pelo receio de que o Irã aumentasse suas rendas de petróleo e conseqüentemente suas aquisições de equipamentos militares; o objetivo também pode ter sido mostrar ao mundo que as decisões quanto ao comércio mundial do petróleo estavam nas mãos dos sauditas, e não do Irã. Além disso, os sauditas deixaram bem claro que sua decisão estava condicionada ao “progresso” nas negociações de paz no Oriente Médio (Israel) e ao progresso no diálogo Norte-Sul em Paris. Assim, os níveis futuros de produção de petróleo podem ser influenciados por fatores políticos.

Nenhum desses fatores é determinístico, isto é, embora possa parecer lógico para um observador de fora que um fator isolado deva enunciar a produção de certa forma, é possível que, visto de um ponto de vista diferente, o mesmo fator implique outra linha de ação. Além do mais, os fatores podem ter influências opostas. Na verdade, os fatores sugeridos não apontam necessariamente uma direção única. Além disso, os fatores não são independentes, de modo que os níveis reais de produção serão determinados por uma combinação complexa de todos esses fatores e outros.

É precisamente uma mistura complexa de fatores econômicos e objetivos políticas que determina a hoje famosa capacidade de absorção, que, por sua vez, deverá determinar os níveis de produção. Uma definição de capacidade de absorção não pode ser separada dos objetivos dos estadistas-das opiniões dos lideres a respeito da estrutura econômica e política e do papel do seu país, tanto no plano interno como no plano externo, incluindo a importância atribuída a gastos militares. Nunca será correto afirmar que uma nação não pode fazer uso dos fundos gerados pela produção do petróleo para fomentar o desenvolvimento interno, porque o uso dos fundos está ligado a certos horizontes e imagens nas mentes dos estadistas. O próprio aumento da receita contribui para alargar esses horizontes. O aumento de influência internacional é acompanhado por metas externas mais ambiciosas, maiores oportunidades de aventura e maiores responsabilidades internacionais.

Refinação

A maior parte do comércio internacional de petróleo é feita sob a forma de petróleo bruto. As exportações e importações de produtos do petróleo são muito menos importantes, confirmando o fato de que a maioria das nações optou pela auto-suficiência no setor de refinação. Os produtos refinados representam apenas 15 por cento do comércio mundial de petróleo. Esses produtos foram responsáveis por 20 por cento das importações de petróleo dos Estados Unidos e as Antilhas foram o principal fornecedor. Os Estados Unidos, por sua vez, foram responsáveis por mais de 40 por cento do comércio mundial de produtos do petróleo. Outros países industrializados dependem ainda menos de importações de produtos refinados.

As refinarias geralmente são instaladas nas proximidades dos mercados consumidores, evitando assim a necessidade de usar navios especializados. Com O aumento da capacidade de refino, os governos dos países consumidores puderam fazer uso do valor acrescentado, e alguns países chegam a pagar o petróleo bruto que importam com O lucro.

A Demanda de Produtos Refinados

A demanda de produtos refinados está concentrada nos países industrializados. A América do Norte, a Europa Ocidental e o Japão foram responsáveis por 80 por cento da demanda de produtos refinados do petróleo em (um total de 36.025 mil barris por dia para,as três regiões). No mesmo ano, a América do Sul, o Oriente Médio, a África, o Extremo Oriente e a Oceania contribuíram com apenas 20 por cento. As questões relativas aos produtos refinados têm muito menos a ver com o nível ou o aumento da demanda do que com o modo como essa demanda é satisfeita.

Capacidade de Refino

A capacidade de refino está altamente concentrada nos países de¬senvolvidos. Todas as regiões são auto-suficientes, exceto os Estados Unidos.

Entretanto, se incluídas as refinarias das Antilhas, das quais são o principal consumidor, os Estados Unidos se tornam auto-suficientes e mesmo adquirem capacidade ociosa. Em verdade, todas as regiões dispõem de uma considerável capacidade ociosa. No primeiro semestre de 1980, as refinarias norte-americanas funcionaram a cerca de 85 por cento da capacidade máxima; as refinarias das Antilhas funcionaram a 50 por cento; as da Europa, a 60 por cento; as do Japão, a 80 por cento. Na média, as refinarias do mundo funcionaram a cerca de 75 por cento da capacidade máxima.

O aumento da capacidade de refino da OPEP poderia contribuir com mais. Os países da OPEP estão custando a iniciar os grandiosos projetos de refinarias que surgiram na euforia causada pela alta dos preços do petróleo. Os números absolutos podem estar errados, pode levar mais tempo que o previsto para que esses projetos sejam completados, mas a tendência parece nítida.

As implicações especiais para a segurança da dependência de produtos refinados (em lugar da dependência de petróleo bruto) são evidentes. Uma escassez de petróleo bruto pode ser compensada por outras fontes. Entretanto, no caso da escassez de um produto, pode não existir uma fonte alternativa, dependendo da política dos países da OPEP, que podem exigir o uso de suas refinarias, ou dependendo da capacidade ociosa das refinarias de exportação (localizadas em outras regiões) para atenderem à emergência. Além do mais, os produtos refinados geralmente têm que ser transportados em navios especiais, que constituem apenas uma pequena parcela da frota mundial de petroleiros; a capacidade desses navios pode não ser suficiente para manter o abastecimento a partir de refinarias mais distantes do que aquelas cuja paralisação iniciou a crise.


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