As Rotas dos Petroleiros

A Frota Mundial de Petroleiros e a Logística do Abastecimento

A frota de petroleiros do Mundo é a principal responsável pelo transporte de petróleo das regiões produtoras para os centros de consumo. Dos quase 32 MBD de petróleo bruto e 5 MBD de produtos do petróleo que constituem o comércio internacional, aproximadamente 95 por cento são transportados, pelo menos em parte da viagem, por um petroleiro. A adequabilidade, propriedade e controle da frota de petroleiros constituem, portanto elementos essenciais da geopolítica energética.

A adequabilidade da frota se refere à capacidade de transportar o petróleo em quantidades suficientes. Além disso, a frota pode ser avaliada em termos de sua capacidade de transportar outras fontes de energia como o carvão, que, embora hoje em dia de pequena importância relativa, podem tornar-se mais importantes no comércio internacional do futuro. Finalmente, a adequabilidade pode também ser avaliada em termos da capacidade de servir a certas localidades; adequabilidade implica uma certa flexibilidade para lidar com acontecimentos imprevistos, que exijam remanejamentos.

As questões de propriedade e controle envolvem a intenção declarada dos países exportadores de petróleo de ingressarem no setor de transportes da indústria petrolífera e as conseqüências de mudança se ela realmente ocorrer. O volume da participação dos produtores será importante; e os setores em que concentrarem suas atividades serão também importantes.

Uma segunda consideração que resulta da possível mudança na propriedade da frota de petroleiros para os países exportadores de petróleo.

Como o comércio de petróleo ocupa uma posição de destaque no comércio marítimo mundial (49 por cento), o transporte do petróleo é importante para a viabilidade das indústrias nacionais de transportes marítimos.

Além da preocupação com a frota de petroleiros em si, mas intimamente ligada à logística do abastecimento, está a questão da segurança das rotas marítimas. A preocupação com a segurança das rotas existentes deve ser suplementada por uma avaliação de rotas alternativas e as implicações para:

(I) a defesa de rotas alternativas e

(2) a rapidez do fornecimento de petróleo se as rotas alternativas tiverem que ser usadas. Além disso, a possibilidade de os Estados Unidos impedirem o fornecimento de petróleo de um país estrangeiro para outro também é de interesse.

Finalmente, a segurança e defesa de portos e terminais, tanto nas regiões produtoras como nas regiões consumidoras, são de importância estratégica. Os portos e terminais marítimos também podem ser avaliados em termos de sua adequabilidade, isto é, sua capacidade de processar exportações e importações em quantidades suficientes para atender às necessidades. A segurança dos grandes terminais de exportação, como o de Ras Tanura na Arábia Saudita e Kharg lsland no Irã, é essencial. O mesmo se pode dizer dos grandes terminais de recepção nos países consumidores de petróleo.

Nossa análise se concentrará nas quatro áreas seguintes:

Adequabilidade da frota mundial de petroleiros

1. propriedade e controle da frota

2. segurança das rotas marítimas

3. adequabilidade e segurança dos portos e terminais

Adequabilidade da Frota

Atualmente, a frota mundial de petroleiros dispõe de uma grande capacidade ociosa. Em 1975, em uma fase de recessão, a capacidade ociosa atingiu 114 milhões de toneladas de peso morto (DWT), o que correspondia a 40 por cento da capacidade disponível. No primeiro trio mestre de 1977, a capacidade ociosa foi estimada em 100 milhões de DWT -um desastre comercial, conseqüência da queda da demanda, resultante da recessão mundial, e também da construção de navios em excesso.

No final de 1979, a frota mundial de petroleiros totalizava 327 mi¬lhões de DWT. Embora tenham sido canceladas as encomendas de muitos navios novos e cerca de 13 milhões de DWT tenham deixado o serviço ativo em 1977 e no primeiro semestre de 1978 (comparados com 10,5 milhões de DWT nos dez anos anteriores), o excedente de petrolei¬ros continuou sério. Além disso, em meados de 1978, o volume de encomendas era de 56 milhões de DWT. Se todos os navios continuassem em uso, a frota mundial de petroleiros chegaria a 362 milhões de DWT.

A adequabilidade da Frota só pode ser avaliada em relação às qualidades e tipos de produtos que a Frota terá que carregar e as localidades a que terá que atender. Entretanto, a seriedade da situação de capacidade ociosa pode ser demonstrada através de um exemplo.

A longo prazo, a capacidade ociosa pode diminuir. Do lado da demanda, as previsões podem revelar-se excessivamente modestas, e a demanda de petróleo pode aumentar com um melhor desempenho econômico dos países industrializados. Um maior interesse norte-americano pelo mercado do transporte das grandes distâncias também pode ocasionar um aumento da demanda de petroleiros. Entretanto, apenas os navios menores (menos de 80.000 DWT) podem utilizar os portos norte-americanos existentes, e embora a demanda de navios desse porte possa aumentar (alguns analistas prevêem uma escassez de pequenos petroleiros quando os já existemes Forem aposentados, pois atualmente a construção de pequenos petroleiros é limitada), o excesso de “Very LargeCrude Carriers” ou VLCC (Superpetroleiros) continuará a preocupar a indústria.

Os petroleiros continuarão a ser construídos, mas em menor número. Os altos custos de substituição (combinados com os baixos Fretes) não encorajam a construção de novos navios. Os altos custos de substituição também não encorajam a retirada dos navios antigos, mas a pressão para esta retirada é inerente â situação atual de excesso de capacidade ociosa. Uma demanda de petróleo maior que a prevista, o começo da exploração de novas reservas, a redução do número de novos navios e a retirada de navios antigos podem reduzir os excedentes.

Entretanto, vários fatores podem contribuir para manter esses excedentes: (I) o aumento da produção de campos localizados nas proximidades dos centros de consumo (Mar do Norte e Alasca); (2) a possibilidade de que os países consumidores de petróleo encorajem o desenvolvimento de campos próprios ou em países próximos; (3) a possibilidade de que alguns países, particularmente os Estados Unidos, promulguem leis dando preferência aos petroleiros nacionais, o que estimulará a construção de navios em todos os países que adotarem essas leis; (4) a intenção dos países produtores de entrarem no setor de transportes (se isto envolver a construção de novos navios, em lugar da compra ou aluguel de navios já existentes).

Segurança das Rotas Marítimas

A importância das rotas marítimas do Oriente Médio para os Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão é evidente. Mais de 75 por cento da frota ativa de petroleiros oceânicos está empenhada cm transportar petróleo do Oriente Médio para o resto do mundo. Além disso, 66 por cento da frota mundial de petroleiros está ocupada no transporte de petróleo do Oriente Médio e do norte da África para os mercados do mundo industrializado, isto é, Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental e Japão.

No momento, a situação parece estável, com mas nada garante que esse estado de coisas possa evoluir para eventos graves, com reais perigos para o mundo inteiro. O conflito serviu para demonstrar a fragilidade política dos estados árabes, aparentemente unidos em torno da OPEP -quando se trata de aumentar os preços dessa matéria-prima e auferir mais lucros ¬mas travando entre si uma luta surda pela predominância na região.

As grandes potências firmaram um pacto tácito de não-intervenção na guerra, receosas todas de um alastramento das hostilidades e envidando todos os seus esforços para um cessar-fogo imediato. Mas os países vizinhos, direta ou indiretamente, estão tomando partido. A Síria, tradicional adversária política do Iraque, ajuda o Irã, o mesmo acontecendo com a Líbia e Israel, que nunca leve grandes simpatias pelo Irã dos aiatolás. Como se vê, a situação é bastante confusa, não se podendo prever os desdobramentos dessa crise.

No momento, tanto para os Estados Unidos quanto para a Europa Ocidental como Japão, o importante é que o conflito não se alastre e que permaneça sem alteração o fluxo de petróleo proveniente dos demais países do Golfo Pérsico que passa pelos Estreitos de Hormuz.

Se o Canal de Suez fosse usado para transportar maiores quantidades de petróleo bruto, os petroleiros não evitariam necessariamente os Estreitos de Hormuz. O Canal hoje em dia não parece ser uma rota desejável – os fretes estão baratos, e o Canal não serve para navios de grande porte.


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