Mentalidade Marítima

Wladmilson Borges de Aguiar
Capitão-de-mar-e-guerra (Brasil)

De acordo com o Programa de Mentalidade Marítima (PROMAR) da MB: “é a convicção ou crença, individual ou coletiva, da importância do mar para a nação brasileira e o desenvolvimento de hábitos, atitudes, comportamentos ou vontade de agir, no sentido de utilizar, de forma sustentável, as potencialidades do mar”(promar, 2012).

Ao estudar a história do Brasil, percebemos que o país nasceu com vocação marítima, principalmente por ter sido descoberto e colonizado por Portugal, uma nação predominantemente marítima e também por ter sofrido suas primeiras invasões pelo mar. Entretanto, ao longo dos anos, ocorre uma degradação de mentalidade marítima, devido adversos fatores, que serão explicados a seguir, notando-se inicialmente as contribuições humanas durante a formação do Brasil, que favoreceram a continentalidade.

O índio, que já estava fixado no território brasileiro quando Cabral chegou, estava muito atrasado em termos de civilização, e sua vida era dedicada à sobrevivência, onde as atividades de caça e pesca artesanal eram desenvolvidas; a ocupação de determinado espaço territorial era pois necessária ao desenvolvimento destas atividades, o que acabou por favorecer a mentalidade continental durante um longo período da história brasileira.

O colonizador português que desembarcou no Brasil tinha a missão de consolidar a posse da terra, abundante de riquezas vegetais e minerais, para a Coroa Portuguesa e ao mesmo tempo de defende-la do assédio de potências europeias. Apesar do povo português ter uma grande mentalidade marítima, os que permaneceram no Brasil tiveram esse sentimento de certa forma enfraquecido, devido às atividades desempenhadas na colónia.

A parcela escrava, oriunda da África para servir os colonizadores em suas fazendas, tinha origem predominantemente terrestre, estando num estágio de civilização próximo aos índios, ditado pelo paradigma da sobrevivência e ocupação da terra. Viviam em condições de extrema submissão e não possuíam qualquer noção de projeção marítima.

Após a instalação do Governo-geral, o interesse económico impulsiona a penetração no continente, na direção Norte e Oeste. Esta entrada é facilitada pelas bacias hidrográficas, notadamente a do rio Amazonas. Com isso são estabelecidas novas fronteiras, cada vez mais para o interior do continente, sendo criado um cinturão de fortes para a sua defesa, fixando parte das populações naquelas localidades, que posteriormente serão núcleos de novas cidades.

Atualmente, 80% da população do Brasil vive a menos de 200 km do litoral, dado que por si só parece revelar uma grande atração dos brasileiros para o mar. Porém, poucos conhecem os direitos e deveres que o Brasil tem sobre o mar, bem como o seu valor estratégico e económico. Esta falta de conhecimento parece estar na escassez de políticas voltadas para o desenvolvimento da mentalidade marítima do povo brasileiro.
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